Essa semana vivi uma experiência de intolerância religiosa inacreditável.

Uma jovem, de uns 26 anos, vestida de branco, inclusive o turbante, claramente adepta de uma religião de matriz africana, caminhava livre por uma das ruas de um bairro do Rio, quando três rapazes, seguindo-a, começaram a fazer chacota com ela por causa de sua religião. Quando vi a cena, não consegui me calar e tentei intervir, advertindo-os de que a menina devia ser respeitada. Foi o suficiente para que os jovens se voltassem, em fúria, contra mim, despejando sobre mim, agora, a sua indignação. Os encarei, claro, até que um quarto rapaz aparece e exclama: “Esse cara é o Pr. Neil, cara, vocês estão malucos?”.

Resumo: eram, todos, evangélicos.

A minha pergunta é: Que tipo de mensagem bíblica forma crentes com tais atitudes? Ou, que igreja seria essa (ou de quem) que forma gente tão beligerante? Há que se pensar!
A intolerância religiosa e o racismo motivaram e foram pano de fundo para quase todos os conflitos armados que ocorreram no século 20. A morte de mais de seis milhões de judeus, no período sinistro e obscuro da ascensão do nazismo, que perdurou por mais de uma década na Alemanha, é um exemplo claro desse fenômeno.

Historicamente, o Brasil não ficou ao largo desse processo de radicalização e intolerância religiosa. No momento em que o fascismo aterrorizava a Europa, movimentos como o integralismo, que pregava o racismo, ganhava força entre nós. É só lembrar que o candomblé e até mesmo a capoeira, com seus batuques e cantigas, eram proibidos no Brasil até meados do século 20.

Em 2016, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), vinculada ao Ministério da Justiça, registrou 300 denúncias de ataques oriundos de intolerância religiosa. Pra vocês terem uma ideia em 2015 foram 146 registros, ou seja, um aumento de 105% em número de ataques.

Os números atestam que a intolerância só cresce no Brasil, triste é saber que os agressores, agora, em larga escala (não os únicos), são os cristãos.
Não preciso dizer que tal pratica é inadmissível quando se trata de um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo.

“12. Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; 15. Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios alheios;” (I Pe. 4:12,15)

Além disso, o que eu diria sobre Intolerância religiosa?

A intolerância é produto de alguém ou grupo que tem uma relação completamente equivocada com a verdade: é o achar-se dono dela.

Achar isso, revela a mais completa ignorância.

Esse é o problema, a ignorância. É por ela que o estado islâmico degola cristãos, o torcedor de um time mata o torcedor do outro time, que um adulto estupra uma criança, que um policial abusa de seu poder para matar um menor, que um menor julga ter direito de esfaquear alguém…etc… é, sempre, a ignorância.

No caso da intolerância, a ignorância é revelada pela violência contra um SEMELHANTE que professa uma FÉ DIFERENTE. Um igual que crê diferente.

Na perspectiva evangélica, quem pratica Intolerância e/ou racismo, não tem a menor noção de quem é o Jesus no qual dizem crer, nem muito menos do que esse Jesus disse. Por que

Ele disse:

“Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.”(I Jo 2:9)

Trevas ou luz, pra Jesus, não tem a ver com religião, tem a ver com amor, tem a ver com capacidade de amar, portanto:

A INTOLERÂNCIA É O PRODUTO MAIS DANOSO DA IGNORÂNCIA.
Diante disso, me permitam um conselho: NÃO PERMITAM QUE UM INTOLERANTE TE

TRANSFORME NUM DELES.
A ignorante ação desses ignorantes religiosos tem o poder de despertar em nós a nossa pior parte.

Se essa pior parte agir, certamente, produzirá algo semelhante àquilo que abominamos.

Nos transformará na imagem é semelhança dos algozes que combatemos.

Nossa vocação é o amor mas, não nos esqueçamos, nunca, que o amor não é um sentimento, é atitude e, além disso, é a única forma de mantermos a humanidade viva no ser humano que somos.

Pr. Neil Barreto.