Esse início de ano foi malignamente intenso. Não, malignamente não, humanamente intenso. Disse malignamente porque a produção da humanidade de hoje é muito similar, em intensidade e maldade, com a produção do maligno.

Quero destacar, apenas, duas dessas produções: a primeira, os massacres/chacinas produzidos dentro das cadeias do Brasil neste primeiro mês do ano. São quase 120 mortes cometidas de forma bárbara, com corpos esquartejados, decapitados e, ainda por cima, com membros espalhados pelas dependências das cadeias onde estavam presos. As cenas foram dantescas.

A segunda produção acontece enquanto escrevo esse artigo; O caos no qual está mergulhado o estado do Espírito Santo. É inacreditável o que vemos lá.

Já são 68 homicídios em 6 dias. Saques generalizados, roubos, assaltos, estupros, arrastões, tiroteios ao meio dia, tudo que possamos imaginar. As cenas são estarrecedoras.  O motivo alegado? Greve dos policiais.

Percebam; uma barbárie acontece dentro das cadeias, a outra fora delas. O que ambas têm em comum são seus agentes: O SER HUMANO.

Portanto, tais produções não são geográficas, como quem diz: “Produzimos o que produzimos porque estamos presos.”  Ora, os que estão fora, é o caso do Espírito Santo, produzem o mesmo.

Os homens produzem não por causa do lugar onde estão, produzem por causa do lugar no qual se tornaram, do lugar que são.

O problema dos homens, portanto, não é geográfico é existencial.  É por causa do que carregam dentro, por causa daquilo para o que se tornaram casa.

E nós, a igreja, temos alguma coisa a ver com isso? Temos algo a aprender com isso?

Eu, particularmente, quando vejo a decadência célere pela qual passamos como humanidade (não creio que tenhamos muito tempo como sociedade organizada no Brasil, prova disso é o fenômeno Espírito Santo (estado): a última barreira para o caos é a polícia) não tenho como não me lembrar da promessa de II Crônicas 7:14:

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

A promessa, respeitadas todas as variáveis de interpretações, é a de que a terra seria sarada, todavia, o pressuposto é a existência de um povo sarado e santo nessa mesma terra. Terra sarada não é utopia, utopia hoje, me parece, é ver o povo de Deus sarado e santo.

Enquanto a terra geme, o que vemos na igreja é um híbrido de crentes que já não conseguimos discernir. (Falarei sobre eles no próximo editorial.)

Por hoje, por ausência de espaços, convido à você, principalmente à você que faz parte desse grande exército de acusadores e apontadores de dedos sentado atrás das teclas de um computador a refletir sobre qual a sua contribuição para esse estado calamitoso de ser. Sua publicação, produção, existência contribui para a melhora disso ou só joga mais lenha na fogueira?

O que você diz, faz e escreve, se não fosse dito, feito e escrito representaria perda de alguma forma ou seria completamente irrelevante?

Sua produção humana revela onde você está ou o que está em você?

Vamos pensar sobre isso?

Pr. Neil Barreto.

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