Vivemos nos tempos da famosa Pós-Modernidade, uma era sociológica e cultural decorrente de uma releitura do Capitalismo. A Modernidade Líquida, conforme prefere denominar o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é essa fase intrigante da humanidade na qual tudo parece escoar por entre os dedos, tal qual ocorreria caso alguém pretendesse reter um pouco d’água ao fechar a mão, todavia em vão.

Tempo de uma realidade ambígua e multiforme. Época em que imperam o relativismo dos conceitos, o individualismo, o consumismo como forma de expressão pessoal, a cultura narcisista de massa, a indiferença a tudo que não seja o egocêntrico, a explosão do acesso à informação (ainda que superficial ou não fundamentada), o rompimento das fronteiras geográficas (globalização), o predomínio do efêmero, do fragmentário, do descontínuo, do caótico, do descartável, do fugaz.

Ser estudante na Pós-Modernidade parece ser tarefa um tanto quanto desafiadora. É, por exemplo, empanturrar-se de informações, mesmo sem ter tempo ou capacitação suficiente para processá-las. É ter que responder por conceitos, considerando que estes estão em constante desconstrução ou sob ataques ferozes de correntes doutrinárias divergentes. É ter que dar continuidade a um processo de ensino-aprendizagem como aluno em uma sociedade em que a descontinuidade parece imperar absoluta. É se preparar, para trabalhar ou estudar mais ainda em instituições, sabendo que boa parte delas está ruindo em seus propósitos, em sua ética e em seus métodos de atuação na sociedade.

Então, o que fazer diante desse quadro temerário? Lembremos da Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 12, verso 2, que orienta que não devamos nos conformar com este século, mas sermos transformados pela renovação de nossas mentes, a fim de que experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Mas como já ouvimos em nosso arraial, se algo é difícil, é porque não é impossível. E se é impossível, ótimo, porque isso torna a ação de Deus ainda mais maravilhosa.

Portanto, fica a oração no sentido de que você, estudante, seja criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, seja aluno em curso regular ou livre, seja integrante da rede pública ou particular, esteja você em qualquer dos níveis de formação ou pós-formação, entenda que sua missão é muito especial nesse contexto.

Você, estudante, é um dos poucos elementos deste mundo pós-moderno, de quem se pode esperar atitudes positivas de crescimento, não só intelectivas, mas sobretudo morais e espirituais, que venham proporcionar profundas e necessárias transformações em sociedades cada vez mais desequilibradas em todos os sentidos.

Cumpra a sua missão com excelência. Entenda que ensino, educação, urbanidade, cidadania, consciência, respeito ao próximo e, principalmente, amor a Deus, podem e devem andar juntos. Seja disciplinado nos seus estudos, para com você próprio e para com todos a sua volta, pois essa é a marca do bom discípulo.

Certamente, Deus se alegrará e o mundo, apesar de pós-moderno, agradecerá!

Sérgio Tavares – Ministro de Educação Cristã